De uma filha de imigrante.
Domingo 14/05/2017 às 23:20 | Arquivado em: Devaneios, Eu

Sou mestiça, filha de imigrante. Me orgulho demais disso. Procuro sempre identificar e destacar características minhas que me identificam como parte de outra parte do mundo. Acontece, porém, que uma parte das características que filhos de imigrantes geralmente tem, eu não tenho. Não falo a língua materna da minha mãe. O que sei é muito pouco, menos do que se pode encontrar em livros para turistas. É desonroso.

Eu poderia, é claro, sentar minha bunda na cadeira e estudar japonês até não aguentar mais e conseguir um certificado que me ateste proficiente nesta língua. Mas não consigo. A vergonha que eu tenho sentido há muitos, muitos anos constantemente criou um estigma muito grande em torno da língua materna da minha mãe. Todas as vezes que eu vejo algo escrito em japonês, em todas as vezes que eu ouço alguém falando em japonês, ouço qualquer menção ao Japão… Algo se movimenta dentro de mim que extingue parcialmente a alegria. Não é que eu não goste, longe disso. Revive a lembrança de que eu não tenho uma parte tão fundamental da cultura de uma nação que é mãe de parte do meu sangue. O desânimo de mim comigo mesma toma conta. É algo que eu tento me livrar, mas não consigo. O sentimento de ser uma decepção cultural me assombra muito profundamente.

Eu juro que tento afastar o fantasma do dever, mas não consigo. Sempre começo a pensar “eu deveria saber disso” e me volta a vergonha por não saber. Ao invés de incentivo, no entanto, esses sentimentos me geram uma angústia gigantesca que me impede de efetivamente buscar mudar essa situação em que eu vivo. Fico angustiada por não saber, por dever saber, por decepcionar por não saber. Abro um livro para aprender e me sinto triste e desapontada comigo mesma, não consigo. Às vezes, tento tirar alguma dúvida com alguém que eu conheço, reúno toda as minhas forças, e talvez a dificuldade para me expressar a respeito do japonês ou mesmo a forma que as pessoas pensam sobre o que eu sei ou deixo de saber em japonês faz com que eu geralmente acabe bem frustrada e arrependido de ter expressado minha dúvida para alguém. Não sei bem o que é ou por quê, mas acontece com mais frequência do que eu gostaria. É um ponto que me dificulta aprender japonês também…

Espero um dia me livrar desse peso e conseguir aprender, finalmente, a falar essa língua que me é tão presente. Até lá, sigo colocando um sorriso no rosto esperando que, assim, a tristeza e o peso sobre os ombros vão embora.

Comentários
Tags: , , , , ,


Desorganização total!
Terça-feira 09/05/2017 às 15:05 | Arquivado em: Devaneios

Oi, Blogário (entendeu? blog + ocasionário!)! Tudo bem?

Faz vários dias que não posto aqui, mas os rascunhos estão cheios de coisa!

Tenho escrito bastante, mas não postado… Sinto que o que tenho escrito ainda não está terminado o suficiente para que os outros vejam! Falando em terminado, estou há uma semana tentando escrever um poema, mas não consigo costurar ele bonitinho… Quanto tempo será que os grandes poetas levam para escrever cada poema?

Tenho tido pouco tempo para escrever, pois sou desorganizada… Espero melhorar em breve! Quero escrever não só aqui, mas também pras coisas da faculdade… Tenho ainda que escrever uma crônica com uma personagem criada por algum(a) colega meu(minha)! Será que vai ficar bonita? Eu espero que sim, não quero decepcionar qualquer colega!

Desculpa correr e te deixar sem todas as novidades do mundo, mas preciso voltar a trabalhar!

1 comentário
Tags: ,


Quero ser um emplasto.
Quinta-feira 20/04/2017 às 14:08 | Arquivado em: Eu

Há muitos anos, tenho como objetivo certo da minha vida tornar as pessoas e o mundo mais felizes. Quero tornar o mundo um lugar melhor e que as pessoas aproveitem com felicidade o tempo, espaço e experiências que vivem. Por muito tempo, me senti um pouco “inacreditada” por pensar que dizer que meu sonho de vida é deixar as pessoas mais felizes como quando se diz genericamente que misses sempre falam sobre a “paz mundial”.

Foi lendo Machado de Assis que me senti acolhida no meu objetivo de vida, senti meu objetivo de vida validado. Não é de hoje que penso que existem coisas que é necessária a “validação” por alguém que considero importante – se bem que, considerando a pessoa a qual estou me referindo, nem preciso mencionar que ele é considerado alguém mega importante. Aconteceu ainda no ensino fundamental dois (também conhecido como “da quinta à oitava série) que resolvi ler “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Meu pai havia me contado que foi uma grande revolução da literatura mundial já que, pela primeira vez, quem narrava a própria história era um morto (ou, pelas palavras do mesmo, defunto autor) – o que tornava a história ainda mais interessante, já que, depois de morte, de nada importa manter as aparências, a narrativa é completamente livre de amarras sociais.

É logo no início do romance que se lê:

Morri de uma pneumonia; mas se lhe disser que foi menos a pneumonia, do que uma idéia grandiosa e útil, a causa da minha morte, é possível que o leitor me não creia, e todavia é verdade.

Não digo que desejo morrer pelo meu sonho, mas, se for necessário para que se torne realidade, aceito de bom grado. Espero que eu tenha muitos e muitos anos para ser feliz.

A ideia que matou Brás Cubas e a que move minhas decisões é a mesma na essência. Ele desejava criar um medicamento que acabasse com a melancolia da humanidade (o famoso “Emplasto Brás Cubas”) e eu, tornar as pessoas felizes. Não desejo, no entanto, manchetes de jornais e cartazes com meu nome espalhados por aí, como o defunto autor. A felicidade mundial me basta.

Meu sonho guia minhas decisões. É claro que, às vezes, faço escolhas que desviam um pouco dele, mas me esforço sempre para melhorar.

Mitch: Mesmo que soe uma completa loucura, o que tu quer fazer com a tua vida?
Tracy: Eu quero... acabar com a miséria.
Mitch: Ótimo. Então, todas as decisões que tu tomar a partir de agora devem ser a favor disso.
Tracy: Uau. Obrigada!
1 comentário
Tags: , , , ,