Com carinho e sem âncoras.
Sexta-feira 30/06/2017 às 10:30 | Arquivado em: Escrita, Eu

Eu estou há bastante tempo tentando escrever algo para continuar a preencher este blog. Já tentei escrever sobre como vejo pouco ponto de exclamação e como isso me passa uma ideia de que as pessoas não estão tão animadas com as coisas como eu gostaria que estivessem, tentei escrever sobre como me falta habilidade para conversar pela internet, tentei escrever sobre por que as pessoas choram… Nenhum deles se desenvolveu ainda, mas estão guardadinhos, esperando amadurecer. Com vontade de escrever e vendo a insistência nos assuntos citados anteriormente me ancorar, decidi deixar de lado minhas ideias e metaescrever.

Faz muitos anos que escrevo. Muitos mesmo. Desde que aprendi a escrever, tenho escrito livros, piadas, contos. Claro que não posso dizer que o que eu escrevia com cinco anos de idade tem a mesma qualidade que alguma obra de Machado de Assis, mas certamente está contribuindo para que um dia eu chegue lá. Muito do que escrevo acaba incompleto. Não faço ideia de quantos livros comecei a escrever e há apenas um que outro capítulo escrito. Escrever me é fácil e difícil. Não é incomum que eu tenha ideias, elas vêm à mente como pipocas, mas desenvolvê-las é complicado. Às vezes, tenho ideia de um começo de universo, fim de estória e estes são escritos. Muitos estão até perdidos dentro de diversos discos rígidos, esperando que algum arqueólogo literário-digital os encontre e alimente o texto e ele passe a marcar o mundo. Espero que esse arqueólogo seja eu. Este texto mesmo que tu está lendo agora começou a ser escrito em abril. Estamos em junho e cá estou eu: redescobri o texto e estou preenchendo-o.

Muito do que escrevo talvez nunca seja lido por outra pessoa que não eu, mas isto não me incomoda. Escrever é um ofício que me alivia a alma e torna mais palpável o que há em mim. Caso alguém leia, fico contente. Se não, tudo bem também! Contar meus causos me conforta o suficiente.

Como diria o carteiro Teodorico*: “[…] não repare os defeitos, ouviu? Esvaziei bastante a alma, tudo não era possível!”

* O carteiro Teodorico é uma personagem da crônica “Sondagem“, escrita por Carlos Drummond de Andrade.



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2 Comentários em “Com carinho e sem âncoras.”


Gislei Brasil | 05-07-2017 às 20:24 | Responder

Quando li seu comentário em meu blog não imaginava que tínhamos tantas coisas em comum. Eu sou exatamente assim, e acredito que existam muitas pessoas como nós, as ideias aparecem, ideias extraordinários de artigos e posts incríveis, mas o desenvolvimento fica fragmentado. Eu não sei por qual motivo ainda não tinha encontrado este blog, ele retrata exatamente o que eu acredito que falta nos blogs de hoje, é o famoso diário virtual, a verdadeira essência da blogosfera. Tive lendo sua bio também, e a proposito seu segundo nome completa muito bem o primeiro, e é lindo! Espero voltar mais vezes aqui!
Bjão, Giz *

Bia Lourenço | 06-07-2017 às 15:07 | Responder

Oi Nyssia, tudo bem?
Obrigada pela visita no blog! 🙂

As vezes também tenho dificuldade pra escrever, passei alguns anos sem saber que rumo dar pro blog, mas esse ano descobri que conseguia resenhar HQs com muita facilidade e qualidade e segui esse caminho.

Uma hora a gente descobre o caminho que vamo seguir e a inspiração vem 😉

Beijos


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