Ocasionário

Ocasionário

Com carinho e sem âncoras.

Eu estou há bastante tempo tentando escrever algo para continuar a preencher este blog. Já tentei escrever sobre como vejo pouco ponto de exclamação e como isso me passa uma ideia de que as pessoas não estão tão animadas com as coisas como eu gostaria que estivessem, tentei escrever sobre como me falta habilidade para conversar pela internet, tentei escrever sobre por que as pessoas choram… Nenhum deles se desenvolveu ainda, mas estão guardadinhos, esperando amadurecer. Com vontade de escrever e vendo a insistência nos assuntos citados anteriormente me ancorar, decidi deixar de lado minhas ideias e metaescrever.

Faz muitos anos que escrevo. Muitos mesmo. Desde que aprendi a escrever, tenho escrito livros, piadas, contos. Claro que não posso dizer que o que eu escrevia com cinco anos de idade tem a mesma qualidade que alguma obra de Machado de Assis, mas certamente está contribuindo para que um dia eu chegue lá. Muito do que escrevo acaba incompleto. Não faço ideia de quantos livros comecei a escrever e há apenas um que outro capítulo escrito. Escrever me é fácil e difícil. Não é incomum que eu tenha ideias, elas vêm à mente como pipocas, mas desenvolvê-las é complicado. Às vezes, tenho ideia de um começo de universo, fim de estória e estes são escritos. Muitos estão até perdidos dentro de diversos discos rígidos, esperando que algum arqueólogo literário-digital os encontre e alimente o texto e ele passe a marcar o mundo. Espero que esse arqueólogo seja eu. Este texto mesmo que tu está lendo agora começou a ser escrito em abril. Estamos em junho e cá estou eu: redescobri o texto e estou preenchendo-o.

Muito do que escrevo talvez nunca seja lido por outra pessoa que não eu, mas isto não me incomoda. Escrever é um ofício que me alivia a alma e torna mais palpável o que há em mim. Caso alguém leia, fico contente. Se não, tudo bem também! Contar meus causos me conforta o suficiente.

Como diria o carteiro Teodorico*: "[…] não repare os defeitos, ouviu? Esvaziei bastante a alma, tudo não era possível!"

* O carteiro Teodorico é uma personagem da crônica "Sondagem", escrita por Carlos Drummond de Andrade.

Me levei pra passear
De uma filha de imigrante.
Quero ser um emplasto.

Me levei pra passear

Acabamos de passar pelo dia dos namorados e o fim de semana que o envolveu.

Naturalmente, eu gostaria de passear com meu namorado sexta-feira à noite, mas, com a indisponibilidade do mesmo, resolvi me levar pra passear. Afinal, a minha companhia geralmente é uma das minhas favoritas!

Sempre pensei que tem algo de libertador em passear sozinha. É muito fresco e criativo.

Fui, então, ao Burger King que fica a uns… quinze minutos? (acho que sim) da minha casa. Na verdade, acho que prefiro dizer que ele fica a uma parada de ônibus do meu trabalho, porque foi de lá que eu saí.

Saí às cinco horas e dei uma corridinha para pegar o ônibus que estava a uma quadra. Eu amo correr (mas só se for velocidade, resistência eu só tenho mental).

Cheguei lá e pedi o que sempre peço: Double Cheddar, refrigerante e batata frita.

Gostaria de ter demorado mais… Acontece, porém, que vi que estava escurecendo e decidi que deveria voltar logo para casa. Me senti meio mal porque praticamente engoli tudo de uma vez só. Foi esquisito também que o pão do que eu pedi estava mole… Sabe quando a gente esquenta pão no microondas? Fiquei um pouco decepcionada… Também acho que eu deveria ter pedido algo diferente do que eu sempre como, porque era uma ocasião especial, mas acho que isso é assunto pra outra hora.

Também como sempre, resolvi misturar refrigerante de cola (sempre uso qualquer um disponível) com guaraná. Acontece, porém, que não estava conseguindo apertar o botão da Pepsicola®, a moça da limpeza veio e deu um apertão pra mim. Certo, funcionou. Pedi que ela parasse de apertar quando chegou na metade do copo e parecia que ela estava completamente alheia ao que eu dizia! Precisei, então, beber meio copo até que pudesse voltar lá e colocar meu guaraná. Fiz isso e… saiu uma água levemente colorida e com cheiro de guaraná. Não tinha guaraná de verdade! Sabe, eu fico revoltada que o Burger King encha de "gelo" (ou água) aqueles contêineres de refrigerante. ENFIM, decidi preencher de Pepsi Twist, porque eu adoro, e levar pra casa, porque a minha família também gosta.

Caso não te seja óbvio, eu tive que pegar ônibus, porque eu não dirijo. Peguei TRÊS ônibus pra voltar pra casa! Admito que um deles eu peguei errado e que poderia ter pego só dois. Vou contar pra vocês: é bem difícil ficar estável com um copo de refrigerante em um ônibus sem assentos disponíveis.

Mesmo com todos os imprevistos, eu amei. Amo minha companhia e a aproveito mesmo que outras estejam disponíveis. Aproveite-se.

Com carinho e sem âncoras.
Parou por quê?
De uma filha de imigrante.

Parou por quê?

Sim, eu vi tua mensagem. Eu me lembro que estávamos conversando. Provavelmente adorei, não achei chato. Por que não respondi mais? Nem eu sei.

Eu tenho uma dificuldade imensa de manter contatos pela internet. Não sei muito bem por quê, mas acontece com uma frequência gigantesca eu estar em uma conversa muito animada e, no instante seguinte, não responder mais. Às vezes, eu esqueço de responder mesmo pensando na conversa o dia inteiro. Não abro a janelinha e, se abro, leio o que me escrevem, penso e… silêncio.

Não entendo como pode acontecer isto com as minhas conversas se pessoalmente passo horas e horas falando sobre os assuntos mais diversos. Agora, se as letras entram no caminho, a continuidade é incerta. É esquisito, conversar é uma das minhas coisas favoritas no mundo. Adoro contar minhas coisas e ouvir o que as pessoas gostam de me dizer. No entanto, às vezes, muitas vezes, as coisas param por aí. A conversa não se desenvolve, apesar de minha mente fervilhar com tudo que eu adoraria dizer. O comando cerebral não vem. O chefe não mandou, o corpo não faz.

Peço desculpas, então, se alguma vez já começamos alguma conversa que eu não desenvolvi. Eu adoraria ter conseguido.

Me levei pra passear
De uma filha de imigrante.
Desorganização total!
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